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BLOCH, Pedro. Criança diz cada uma: Rio de Janeiro:Ediouro, 288p.

 

Uma de Menino
Pedi a um menino que escrevesse sobre a sua família. De fato, ao fim de alguns dias, me apresentou um trabalho de quatro páginas, com uma série de observações muito curiosas. Revelou em sua descrição um mundo interessantíssimo, fez transbordar um sem-número de considerações magníficas, dentro de seu ângulo especial, dentro de seu nível mental e emocional.
A mais curiosa dessas anotações me pareceu ser a seguinte:
- Minha irmã tem a mania de ser modelo. Bobagem. Pra ser modelo ninguém precisa estudar. Ela estuda pra quê?
E conclui:
- Pra ser modelo basta imitar o andar da girafa.

 

O Menino de Las Palmas
Ao saltar em Las Palmas fui cercado por uma porção de meninos que vendiam canetas-tinteiro. 
Aquelas Parker, porém, eram falsificadas e eu já tinha sido avisado disso. Diante da insistência de um dos pirralhos eu explodi:
- Não me aborreça, menino! Não adianta. Quem fabrica essas canetas sou eu. O menino, sem perder o sorriso, emenda logo:
- Ótimo. Então o senhor deve saber que elas são as melhores do mundo.
E continuou querendo me vender a caneta.

 

Maridos
Laura Beatriz, neta de Guimarães Rosa, tinha nessa ocasião nada mais de três anos. Conversando com a tia ela ia perguntando:
- A mamãe casou?
- Casou.
- E você?
- Eu ainda não casei.
- Não casou por quê?
- Não casei porque...não casei. Mas vou casar.
Laura Beatriz pára preocupada e diz:
- E quando eu crescer... vai ter um marido vazio pra mim?

 

A Briga dos meninos
As respostas infantis tem sempre um grande sabor, quando a gente sabe provocar, devidamente, a criançada.
No outro dia irromperam em meu consultório dois meninos iguais. Gêmeos. Viraram o consultório pelo avesso, rasgaram coisas, plantaram bananeira, fizeram o diabo! De repente resolveram começar uma briga. Golpes, pontapés, chaves, judô, boxe, vale-tudo, capoeira, nem sei que mais.
A certa altura eu resolvo interromper:
- Mas vocês são malcriados, não são? Tem cabimento uma coisa dessas? Será que vocês não compreendem? Como é que meninos que a gente pensa que são educados passam a vida brigando? Vocês brigam sempre, não é?
E um deles, quase ofendido:
- Sempre não, doutor. Tem hora que a gente para.

 

O Caroço da cereja
Um grupo de meninos comia cerejas. Era uma sensação porque era a primeira vez que saboreavam aquela fruta.
Luizinha ficou triste porque sua cereja acabou logo. Uma delas até estava podre. Começou a bancar a esperta e falou para um coleguinha:
- Quer trocar?
O menino ingênuo trocou.
Eu me aproximei e passei um carão:
- Então isso é coisa que se faça, Luizinha? Você troca uma cereja podre por uma cereja boa?
Luizinha baixou a cabeça, compungida:
-Não faço mais.
Daí cinco minutos eu voltava para verificar que, de fato, ela tinha abandonado a idéia de trocar a fruta podre pela boa.
Agora ela estava trocando os caroços por cerejas inteiras.

 

Uma Do Alvinho.
Foi Álvaro Moreyra quem contou aquela troca de gritos entre meninos vizinhos, um deles, seu neto Paulo:
-Paulinho! Ganhei! Ganhei um irmãozinho! Ganhei. Ganhei um irmãozinho.
E Paulinho, berrando do lado de cá, muito inocente:
-E tua mãe já sabe?

 

O Ônibus.
Márcia tinha apenas três anos.Ia ela ao lado de sua mãe, que dirigia o automóvel .No assento de trás vinha a babá, quando, e de repente, passou um ônibus vermelho e a babá disse:
-Aquele é o meu ônibus.
Queria ela referir-se ao fato de que ela vinha com aquele ônibus da cidade.
A menina, porém, entendeu que ela era a dona do tal ônibus e não quis ficar em condições de inferioridade.
-Ah, mas eu também tenho ônibus. Maior que o seu. É um ônibus lindo. Eu ando nele sozinha.Há muito tempo que eu tenho ônibus...Eu viajava nele sozinha.
-Sozinha?-Se espanta a babá.
Márcia se sente numa armadilha.Não pode continuar com a mentira porque a mãe está ali ao lado e explica:

-Sozinha, sim. Naquele tempo eu ainda nem tinha mãe.

 

A Faltosa.
A professora resolve repreender a meninazinha:
-Por que foi que você faltou ontem, hem?
A menina nem deu confiança:
-Ora , professora! Quando a senhora falta eu não pergunto nada pra senhora.

 

Nestorzinho e o Caminhão.
Nestorzinho, vendo passar um daqueles caminhões que jogam água pra lavar as ruas:
-Papai, olha a chuva passeando de caminhão!

 

Adolescência.
Lia, meio criança meio mocinha, explicou-me por que estava no Rio:
-Eu quero ver o Corcovado, o Pão de Açúcar,tudo!
-Mas espere ai Lia! Você já não viu isso mais de uma vez?!
E Lia me explica:
-Vi, mas quando a gente vê com os Pais da gente eles ficam enchendo com “olha que beleza”, “olha que bonito”!
-E daí?                  
-Eu, agora,quero olhar com os meus olhos.Eu mesma quero resolver o que é bonito e o que não é.Compreende?
-Compreendo.
E Lia doutrinando:
-A Vida é assim:-primeiro mostram pra gente, depois a gente vê com os próprios olhos.No fim chega a vez da gente chatear os filhos com “olha que beleza”, “olha que bonito”!

 

O NETO DE ANÍBAL.
Álvaro Moreyra me conta que esta se passou com o neto de Aníbal Machado.O menino viu a Mãe esperando nenê, já em seus últimos dias e apontando para o ventre pergunta:
-Você está dodói?
-Não meu querido. Isso é um irmãozinho seu que vem aí.
Ai ele pede:
-Mamãe, deixa eu sentar no seu colo?
A mãe ergue o menino e ele pede:
-Mamãe, abre a boca!
Ela abre e ele grita para dentro da boca da mãe:
-Nenê, esta muito escuro ai?

 

O CARRO DE BOMBEIROS.
Nestorzinho tinha quatro anos, sete teses e três dias ( o pai anotou) quando pediu ao Holanda:
-Papai, você quando for pra cidade e compra um carro de bombeiro?
-Compro.
-Mas eu quero com três bombeiros dentro.
-Três?Três por quê?
E nestorzinho explica:
-Um pra dirigir, outro pra apagar o incêndio...
-?... -...e o outro pra acender o incêndio.

 

O IDEAL DO ARTHURZINHO.
Arthurzinho é um menino espertíssimo.
Um dia a mãe pergunta ao Arthurzinho:
-Arthurzinho, que é que você vai ser quando crescer?
E o menino sem menor hesitação:
-Eu vou ser pai!

 

TEIMOSIA.
Maria Clara é uma menina terrivelmente teimosa. Dentro de sua teimosia tem coisas verdadeiramente incríveis.
Certo dia a mamãe a estava recriminando:
-Maria Clara, não faça isso!
-Faço!
-Não faça Maria Clara!-repete a mãe.
-faço,faço e faço!-repetiu a pirralhinha.
-Não faça!-explode a mãe, no auge da indignação.
E Maria Clara com voz cheia de censura:
-Puxa, mamãe! Mas a senhora sabe ser teimosa, hem?

 

A FÁBRICA.
Um neto de Cecília Meireles, nossa imensa poetisa, vendo fumegar a grande chaminé de uma fábrica, exclamou:
-Ah! Agora eu sei onde é que fazem as nuves!

 

LÚCIA E A FADA.
Lúcia é um pingo de gente. Tem quatro anos bem medidos, nada mais Foi com a mãe ao cinema e assistiu, empolgada, à fita colorida em que aparecia uma fada com varinha de condão cheia de luzes. Em certos momentos a varinha se iluminava, de tal maneira, que chegava a ofuscar.
Lúcia não cabia em si de espanto e encantamento.
De repente, porém, o gênio do mal paralisou a varinha de condão. Esta se apagou e Lúcia, com um suspiro fundo, comenta:
-Que pena, mamãe! Acabou a pilha!

 

A RESSURREIÇÃO.
Luiz Fernando Ferreira, de sete anos, queria que lhe explicassem a ressurreição de Cristo.
Ouviu muito atentamente tudo o que se disse; mas continuava
Intrigado.
-mas por que é que ele foi ressuscitado?
E a única saída que teve a mãe foi dizer:
-Ele era bom,ele era perfeito, ele era filho de Deus. Era tão bom, meu filho que basta dizer a você que quando lhe batiam numa face ele não descontava como você faz com seu irmão.
-O que é que ele fazia?
-Ele dava a outra face para baterem.
Aí Luiz Fernando achou que era demais e explodiu:

-Essa ... Só vendo!

 

O ACHADO.
Vera,sobrinha de Gladys, estava visitando um protético quando, repentinamente, entrou pela sala a dentro, com uma dentadura articulada que havia descoberto numa prateleira, gritando:
-Titia!Titia!Encontrei uma risada.

 

VENTO E LUZ.
Max era miudinho quando perguntou à mãe, ao vê-la acender a luz:
-Mamãe, quando a senhora acende a luz... pra onde é que vai o escuro?

 

FILHOS DE HOMERO.
O poeta Homero Homem chegou e casa e perguntou aos meninos:
-Vocês já jantaram?
E Maria Elisa, de cinco anos, realizou esse prodígio de síntese:
-jamos.

 

COISAS DE ARISTEU.
Aristeu tem loucura por cavalo.E a mãe vive lhe prometendo que, quando crescer, quando se comportar, lhe dará um de presente.
Mas Aristeu não acredita muito na promessa de dona Sydia e diz:
-A senhora dá nada! A senhora só me deixa com MÀGOA na boca.

 

O ESQUELETO.
Lília e Lenka eram miudinhas quando papai Josué Montelo surpreendeu este diálogo:
Lenka:-Você não quer comer, é?Pois olhe, se você não comer, você vai ficar com dois buracos no lugar dos olhos,um buraco no lugar do nariz, um buraco em cada orelha.Vai ficar toda esburacada... vira esqueleto.
Lília(tranqüilamente):-Pois é. E quando eu virar esqueleto...eu como você!

 

O ADEUS.
A menina se tinha enchido de encantamento pelo gatinho. Brincou, alisou,beijou,fez o diabo.Mas na hora da despedida nem deu confiança.
-Dá adeus pro gatinho, meu bem!por que é que não dá adeus pro gatinho?
E a menina muito triste:
-Não posso.Vou ficar triste porque ele não tem mãozinha pra responder.

 

OS RR DE MARIA.
Maria Luiza, aos quatro anos, filha de Homero Homem,não pronunciava os RR.E o pai resolve treiná-la fazendo-a repetir:
-O rato roeu a roupa da rainha.
A menina não conversou e repetiu:
- O gato comeu a saia da “pincesa”.

 

O PREGO.
Betinho havia engolido um prego e a família estava em pânico.Acabaram resolvendo carregá-lo para Assistência. Foi quando o irmãozinho menor pediu:
-Eu, também, quero ir. Me leva! Me leva!
O pai protestou:                   
-Nada disso. O senhor fica porque é preciso cuidar de seu irmão, coitado! Você Só vai atrapalhar.
E o menino que havia engolido o prego soprou pro pequenino:
-Vai lá na gaveta que tem mais!

 

ESTUDO E CASAMENTO.
Eliane Maria Ribeiro Ramos ainda não tinha seis anos quando a mãe lhe chamou a atenção para o fato de que devia estudar mais:
-Aqui em casa, menina é assim:”enquanto não casa ...estuda”.
E a pequenina, amolada da vida:
-Pois é por isso mesmo que eu to procurando noivo.

 

TRIGÊMIOS.
Quando Robertinho soube que a mãe ia ter trigêmios quis saber o que era.
-È que vão nascer três, compreende?
Um, Dois,Três.
-Que bom!-exclamou o menino.-Assim vai dar pra todos.
-Pra todos...como?
-Um menino pro papai...uma menina pra mamãe...e um cachorrinho pra mim.

 

FÉ.
Eduardinho estava em meu consultório quando lhe perguntei:
-Você acredita em Deus?
-Acredito-respondeu ele convencido.
-Por quê?-provoquei eu.
E Eduardinho explica:
-Porque Deus quer.

 

SELMINHA.
Minha sobrinha Selminha e Explicou:
-Sabe, Tio? A metade de dez não é cinco.
-Não é?
-Não.Uma nota de dez, rasgada no meio não dá duas de cinco, dá?

 

ALVARITO.
Alvarito é um amigo meu de cinco anos.
Apanhava muito de outros meninos. Um dia o pai chama:
-Que negócio é esse de você viver apanhando, Alvarito?
-Como é que eu ia bater nele, papai?Ele é meu amigo!
Quando apanhou do outro menino explicou novamente:
-Eu apanhei porque não posso bater nele.Ele é meu primo.
Mais uma surra que Alvarito levou foi assim justificada:
-Eu não posso dar nele.Ele é menor do que eu.
Quando o pai já estava desalentado com a covardia do Alvarito este é desafiado por um galalau muito maior.Alvarito não conversou.Deu-lhe uma grande surra e explicou:
-este eu não conheço.

 

O NOIVO.
Dulcinha, de seis anos, não queria se conformar com aquele noivo que a prima viera apresentar à família.
Explicou:
-Aqui em casa todo mundo casa com conhecido. Mamãe casou com papai, titia casou com titio, vovó casou com vovô. Logo a Carminha vai casar com uma pessoa que eu nem conheço!

 

MAURÍCIO.
-Quem é Deus, Mauricinho?
-Deus –Responde o menino-é um homem sentado no céu.
-E o que é que ele está fazendo?
-Está lendo jornal pra saber das coisas.

 

A PERGUNTA.
O menino observando a mãe em adiantado estado de gestação:
-mamãe, por que é que a sua barriga está tão inchada?
-Porque a mamãe está com água na barriga, meu amor.
E o menino alarmado:
-E o nenen não vai se afogar?

 

ANINHA.
Aninha, filha de meu caro Augusto e Sílvia, ao ouvir o avô dizer que havia nascido na Espanha, comentou:
-Na Espanha?Eu pensei que a gente nascia da barriga!

 

QUEDA DE DENTES.
Aurinha estava na idade em que as crianças começam a perder os dentes e todos os meninos a tratavam de banguela.
A irmãzinha,Ana Regina, ao ver aquelas falhas dos incisivos observou: -Aurinha ta ficando careca de dente.

 

A CHUPETA.
Cristina tirou a chupeta da boca do irmãozinho recém-nascido. Marcos, irmãozinho mais velho, veio logo fazer queixa:
-Mamãe, a Cristina tirou a tampa do nenen...

 

MARIDO BOM.
O Papai disse pra Mamãe:
-Vá descansar, meu amor. Você está cansada.Precisa dormir.
E a filhinha, encantada:
-Papai é marido bom, não é?

 

MARIA DA PENHA.
Maria da Penha, filha de Ana Maria, de Vitória, tinha três anos quando a mãe pediu:
-Você quer me fazer o favor de ir buscar a vassoura?
E a pequenina:
-Não precisa dizer  favor. Você é mãezinha!

 

O MÉDICO.
O sobrinho de Hugo X.da Costa tinha três anos quando ficou doente e telefonaram pro médico que mandou dizer que não podia vir porque ele mesmo estava enfermo.Só daí a dois dias.
Quando Jorginho, o paciente miúdo , soube da coisa, pediu:
-Não chama ele, não.
-Mas não chama por que?
Não quero médico que fica doente.
E explicou:
-Médico que fica doente não sabe curar.

 

A PORTA.
Marcinho Guedes é muito acanhado.
Jamais se atreveu a entrar num quarto, em que alguém estivesse, sem ser chamado.
Por isso, recentemente, a mamãe se espantou quando o Marcinho abriu a porta do quarto de dormir, repentinamente, pela primeira vez. E reclamou:
-Mas que é isso, Marcinho? Então a gente entra sem bater?
-Não pode?-se espanta o menino.
-Claro que não pode!
-Mas não pode por que?
-Porque a mamãe podia estar não estar vestida, não é?
-Não tem perigo.-Tranquiliza-a o pirralho.
-Não tem perigo...Como?
E o pexote, a ingenuidade em pessoa:
-Eu sempre olho, antes, pelo buraco da fechadura.

 

MISSA CANTADA.
Quando a missa cantada acabou, os dois irmãozinhos, de quatro e três anos(Daniel e Débora), começaram a bater palmas, aplaudindo com entusiasmo e escandalizando toda a igrejacom seus gritos:
-Bis!Bis!

 

 

 

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